Mostrando postagens com marcador Opinião publicada no Jornal Informativo do Vale. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Opinião publicada no Jornal Informativo do Vale. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Vão-se os bosques, vai-se o verde

Impressiona a velocidade do desaparecimento do verde da paisagem lajeadense. E assusta a facilidade com que espécimes nativos são abatidos no meio urbano e bosques inteiros eliminados à revelia da consulta ou conhecimento da população. Pior, não em razão da ação de vândalos, mas por autorização de nossos "exigentes" órgãos de licenciamento em âmbito municipal e estadual.

Assim, por exemplo, supre-se o espaço verde para criar um verdi spazzio; rasga-se o bosque para ali abrir um loteamento do bosque; e devasta-se impiedosamente por inteiro um minibosque em plena área central da cidade para a ampliação de um estabelecimento de ensino de 2º grau, onde os seus alunos passarão a conviver com a ausência total do verde. Um projeto arquitetônico que nasce pobre, pois incapaz de preservar ou integrar sequer uma majestosa e vaidosa araucária que não cansava de se admirar no prédio espelhado ao lado, o qual ela tão bem ajudava a emoldurar, compondo com ele um belo cartão-postal. E teme-se, desde já, pela sorte e destino das reservas nativas existentes na área pertencente à instituição de Ensino Superior. E adjacências.

Para uma cidade com vocação metropolitana e cortada por rodovias de intenso tráfego - e ela própria se "infestando" de veículos -, o verde nunca é uma demasia. O ideal, para uma melhor qualidade de vida de seus habitantes, seria que cada bairro contasse com um pulmão próprio (bosque, parque ou praça ricamente arborizados), além da sua arborização de rua. A cidade está a clamar por verde e o fenômeno que se verifica é justamente o contrário.

As alegadas medidas compensatórias aplicadas para justificar os licenciamentos não passam de medidas paliativas, pois, via de regra, não repõem o verde na área da supressão. É preciso uma vontade política forte para frear o avanço quase inexorável do cimento e concreto sobre o verde, ao ponto de cada palmo, metro ou centímetro quadrado ser transformado em cifrão e lucro imobiliário, em nome da ganância e prevalência do direito de construir.

O tombamento de espécimes e bosques nativos, últimos vestígios da nossa Mata Atlântica, deveria ocorrer, sim, mas com o intuito da preservação e não da extinção. Já certas espécies exóticas, como o eucalipto, mantido em meio ao bosque do Parque dos Dick, onde desponta absoluto, poderiam e deveriam ser suprimidas da paisagem urbana, na minha visão.

A. J. Maldaner

Servidor Pubico